segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Em busca do carro tolerável. Capítulo 3: Agora melhorou

Conheci algo melhor hoje

Se você viu a última postagem (não a que eu fiz severas críticas negativas a alguns carros, o que me surpreendeu porque gerou muitas visualizações), você deve ter notado que eu me decepcionei (ou talvez não, porque o Sandero é realmente um carro rústico).

No dia de hoje, 6 de novembro de 2017, um dia após ter feito a ingrata prova dos burocratas do ENEM, estive bastante ocupado mas então a minha mãe que fez eu ir com ela (não obrigou, ela sugeriu, ela não me amarrou no Corsa até lá) até a loja aqui perto de casa para ver mais carros.

Não me simpatizo muito com eles porque testar um carro deles é mais burocrático do que tirar um título de eleitor (vocês têm sorte de não ser eu quem vai comprar o carro, senão iriam se ver comigo). Sim, não estou brincando. Mais uma vez, acham que todo mundo compra carro por correio. E é aquela coisa... o sujeito compra um Sandero sem testar antes e só um tempo depois ele nota que ele tem um alto ruído interno do motor... Havia alguns carros interessantes, muitos Ka's. Tinha um Fox recém-chegado mas já com amassado, desgaste na maçaneta acentuado (pior que no Corsa pilha de porcaria da mãe, que vergonha Volkswagen), risco aqui, detalhe aqui, detalhe acolá. E se for para sentar em um banco ruim, prefiro ficar no do Corsa mesmo.

Havia um Fit ali mas já estava sem as calotas dos centros de suas rodas de alumínio, um tanto riscadas aliás. Era um provável LX ou LXL modelo 2013, com transmissão automática. Acabamos que então, depois de espera com lero-lero e afins (eles foram ver a pilha de porcaria do Corsa), indo ver um Citroën.

Para ser mais preciso, um Citroën C3 Tendance 1,6 com transmissão manual, cor branca, modelo 2014. Por volta de 66 mil quilômetros (parece que o painel acusa que o carro precisa de revisão, preciso analisar minha memória). Por R$38 mil (você leva R$100 de troco). Felizmente tirei algumas fotografias, mas a câmera do meu Lenovo Vibe B (comprado este ano) é uma coisa tão porca que até a câmera do meu Galaxy Tab de 2010 é melhor.





Muito bom o desenho externo do carro, algo bem típico dos carros da marca, ainda que o C3 atual vendido na Europa tenha sofrido uma radical modificação externa e interna. Particularmente, de princípio, acho este de segunda geração melhor. É bonito, sem exageros e adornos exagerados. Aprenda Mitsubishi.

Os vãos de carroceria estão corretos, só notei algo descolando aqui...






Vãos corretos na carroceria, denunciando qualidade construtiva, mas e aquele detalhe ali no vidro...

Entrando nele, a impressão inicial é de um carro com bom aspecto interno. Mas aqui você não me verá escrevendo que ele é um compacto premium. Ainda que um carro desse seja bem caro por aqui, não o vejo além de um simples automóvel de um universitário trabalhando de garçom em algum lugar da União Europeia. Por impressões iniciais o banco do motorista é bom, com densidade adequada de espuma e anatomia correta (impressões iniciais, pode ser que a minha coluna denuncie o contrário em um percurso mais longo). Mas foi injusto porque eu não estava de tênis, apenas com os pés imundos de um rapaz que estava mexendo com coisas da natureza. Como fui me esquecer de ajustar o volante, com ajuste em altura e distância? Estúpido. E não, não sabia qual combustível estava utilizando. Demorei para encontrar a alavanca de reclinação do encosto, que estava escondida. Não é por "rodinha", mas sim em puxar e levar seu corpo junto, parece divertido.





O volante tem bom aspecto, embora não tenha gostado muito da sua anatomia para minhas mãos. Deve ter sido culpa sua, em ter se esquecido de tentar ajustá-lo em altura e distância. O plástico rígido domina o interior, mas tem texturas interessantes e uma montagem muito boa. Parabéns aos fluminenses. Não há peças frágeis nas portas como no Sandero e no Ka. O apoio de braço é bom, mas ainda acho que alguém precisa criar uma "preparadora de tapeçaria", colocando ali um pedaço de tecido acolchoado. Os puxadores de portas são ergonômicos tanto a frente quanto atrás e o posicionamento dos comandos de vidros elétricos é bom, assim como o controle elétrico dos retrovisores. O tecido que reveste os bancos é simples mas com bom aspecto.

O espaço interno traseiro é bom para um carro com entre-eixos de apenas 2,46 metros, poderia apenas ter maior suporte para as pernas e coxas (a anatomia é correta). Espaço para cabeça é muito bom. De fato, senti uma sensação de amplitude. Talvez eu seja pequeno demais. Bons os porta-objetos espalhados, embora os nas portas não sejam tão espaçosos. Há bom suporte para o braço no banco de trás. Além disso, bom em terem colocado os três encostos de cabeça traseiros e, colocado de volta, o cinto traseiro central de três pontos (sim, o Citroën C3 de primeira geração nos primeiros anos tinha, depois perdeu).




"Que carrão filho!" 

Em questão de ergonomia, os difusores de ar são muito eficientes para difundirem o ar-condicionado, apenas requer que você se acostume. Fácil também ajustar os comandos de ventilação, próximos as mãos. Dirija os difusores para cima para resfriar uniformemente o interior, ok (ao menos uma matéria idiota de ensino médio me ajudou, leia sobre convecção)? Ali atrás o ar fresco chegou. O para-brisa Zenith é até interessante mas isso não achei desejável, ao menos não naquele fim de tarde com luzes solares sobre meus olhos. Pode ser sedutor abri-lo numa estrelada noite enquanto você dá carona para sua pretendente em potencial.

Detalhes interessantes notados: três difusores de ar centrais, luzes de cortesia (ou de leitura) atrás e acima das portas dianteiras, luzes diurnas de LED e difusor de ar para o porta-luvas, assim fazendo com que você possa refrigerá-lo.



Já notei manchas, risquinhos e detalhes... 


Você consegue enxergar sujeira nessa foto tirada por uma câmera porcaria?


Banco tem anatomia correta e um revestimento curiosamente interessante

Vamos ligar o motor e andar no percurso mixuruca autorizado? Vamos!

[Editado, agradecimentos ao membro Gersinho do Fórum Carros e ao iCarros] O velho motor 1,45 (1,5? Não caia nesse golpe, a cilindrada é 1449 cm³, ou se arredonda para 1,45 ou para 1,4) me trouxe boas surpresas. A primeira coisa notada é o silêncio e a suavidade. Ele gira macio em todas as faixas de rotação. O motor por sinal tem concepção simples, um quatro-cilindros (provavelmente tem parentesco com os velhos motores TU da década de 80), com 89 cv e 13,5 m.kgf de torque (valores com gasolina), duas válvulas por cilindro, comando único de válvulas no cabeçote e bloco em alumínio. Muito belo o painel de instrumentos, com boa visão e contraste adequado entre o grafismo e o fundo. Não senti falta de um termômetro de água do motor.



A visibilidade é muito boa e o carro responde bem, gostei da resposta do pedal de freio (surpresa, também os freios dianteiros são a disco não-ventilados, e mais uma vez o Corsa responde que tem discos ventilados), menos direta do que de outros carros mais novos que testei (com maior curso). Será que estou me "americanizando"? Na verdade, os três pedais têm curso longo. A transmissão é precisa e com engates corretos, mas não senti a mesma firmeza do Ka, parece por vezes que a alavanca está "solta". Mas eu tinha lido tão bem sobre você, cara transmissão... vou começar a ler menos e dirigir mais. Já se sabe que o C3 anterior já se destacava pela assistência elétrica de direção, então este não muda: leve ao extremo em manobras e com acerto correto.

Infelizmente (ou felizmente) o bairro onde moro não tem ruas ruins o bastante para testar a suspensão do carro (eu tinha que ter passado em cima de um bueiro mal-feito para analisar um pouco melhor), mas numa valeta eu pude notar que ele passa confortável nela. Então a impressão é de boa absorção de irregularidades.

Outra coisa que gostei nele é rebatimento de encostos traseiros. É... no Corsa não tem (o Uno da década de 80 tinha). O banco bipartido em 60:40 permite que se leve tranqueiras interessantes, como uma vara, uma bicicleta... coisa que no Corsa não seria possível. Só é um pouco incômodo pois precisa segurar o cinto para rebatê-lo, algo muito fácil, aliás. Tanto rebatê-lo quanto "desrrebatê-lo".


Só assim para se puxar com sossego.

Não consegui abrir o porta-malas. Onde se abre? Onde está o botão? Caramba, como estou atrasado nessa parte, eu sempre achei que seria ou botão ou um encaixe de chave (para não dizer buraco). Nem cheguei a perguntar. Pelo menos sei controlar os retrovisores elétricos. O porta-malas tem capacidade até boa, com 300 litros.

Em questão de segurança, aquela mediocridade esperada na categoria... bolsas infláveis frontais e freios com sistema antitravamento e distribuição eletrônica de frenagem. Sim, eles retiraram os repetidores laterais de direção. Pelo menos há o encosto e cinto de três pontos para o quinto ocupante. Em itens de série, tem coisas boas: ar-condicionado com ajuste manual, direção com assistência elétrica, computador de bordo (nem testei), porta-luvas refrigerado, banco do motorista regulável em altura, volante ajustável em altura e distância (também não testou, estúpido), banco traseiro bipartido 60:40 e controle elétrico dos vidros das quatro portas (com função um-toque para o motorista), faróis de neblina, luzes diurnas por LEDs na frente, terceiro encosto de cabeça no banco traseiro, rodas de alumínio (15 pol), para-brisa Zenith, interface Bluetooth para telefone celular, rádio/CD/MP3 com conexão USB (também não usei) e mostrador de temperatura externa.

Acho que faltou um teste mais aprofundado e honesto, por isso eu vou resumir só abaixo os itens...

Pontos fortes:

- Ergonomia;
- Posição de dirigir;
- Curso dos pedais;
- Suspensão;
- Detalhes visuais do interior;
- Aspecto visual do interior;
- Qualidade construtiva;
- Qualidade nos materiais;
- Painel de instrumentos;
- Desempenho;
- Suavidade do motor;
- Versatilidade;
- Refinamento;


Pontos fracos:

- Transmissão duvidosa;
- Segurança;
- Excesso de plástico rígido no acabamento;
- Eu poderia colocar aqui custo de manutenção, mas no Brasil não há uma espécie de True Cost to Own do Edmunds, então seria desonestidade se arrogar a dizer se a manutenção é cara ou não.

Ficha técnica:

Motor: dianteiro, flexível em combustível, transversal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, bloco em alumínio e cabeçote em ferro fundido, tração dianteira.
Taxa de compressão: 12,5:1
Cilindrada: 1449 cm³.
Diâmetro e curso: 75 mm e 82 mm.
Freios: dianteiros a disco e traseiros a tambor.
Potência e torque máximos: 89/93 cv a 5500 rpm (gasolina e álcool respectivamente) e torque de 13,5/14,2 m.kgf a 3000 rpm (gasolina e álcool respectivamente).
Transmissão: manual de cinco marchas, todas sincronizadas. 
Relações de marcha: também não encontrados, infelizmente
Suspensão: dianteira independente McPherson e traseira eixo de torção.
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência elétrica.
Diâmetro de giro: 10,3 metros

Dimensões:
Comprimento: 3,94 metros
Largura: 1,70 metro
Altura: 1,52 metro 
Distância entre eixos: 2,46 metros
Massa: 1110 Kg
Porta-malas: 300 litros



Pneus: 195/60 R 15

Fotos extras:

Tem um carpete escondido aí na tampa do porta-luvas


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