segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Em busca do carro tolerável. Capítulo 2: É aceitável

Parece um carro até interessante...

Se você viu a postagem anterior, certamente sabe que estamos em busca de um carro ideal para a mamãe.

Então, hoje, dia 30/10/2017, acordei cedo para irmos com ela para conhecermos então o Renault Sandero Stepway 1,6, modelo 2014, numa loja de carros conhecida já por nós. Eu já havia mostrado por fotos o carro para ela, ela já ficou um pouco entusiasmada. Mais que eu, inclusive.



O carro, de fato, tem um visual mais intimidador (se é que valha esse adjetivo) que o Ka. É um projeto brasileiro inspirado no Logan romeno, logo adotado também por eles. É óbvio que o nosso nunca teve motores diesel nem o motor 0,9 litro com turbocompressor. Ele tem praticamente o comprimento do Corsa. O carro tem 138 400 quilômetros no hodômetro e pede-se nele R$36 mil.

E sabe o que mais empolgou a mãe? As barras de teto, que tinha no seu Uno CS 1,5 i.e. de 1991. Ela falava algo como "olha os pneuzão dele né...".

Entrando nele, a sensação inicial é de um carro amplo. E é amplo, de fato. Há espaço de sobra para a minha cabeça (apesar de eu ter 1,73 metro de altura) e há acomodação adequada para pernas e coxas, além do encosto adequado. O couro sintético tem um bom aspecto, também. Apesar do tecido nas (quatro) portas destoar do couro (por que a Renault foi tirar na segunda geração...), não é, de modo algum, ao menos para mim, um incômodo. Há um pouco de espuma, relativamente cômodo para apoiar os braços. Ruim mesmo é o apoio, além do puxador e da carência de porta-objetos nas portas traseiras (e nas dianteiras também). Bem interessante a decoração nas portas, talvez tentando afastar um pouco a imagem (real) de rusticidade de um carro para passar por países ingratos como o Brasil.




O acabamento interno geral é... err... razoável, com desníveis e peças plásticas fazendo barulho e com montagem duvidosa. Há parafusos aparentes nas maçanetas das portas, mas esses são os que menos me incomodam.


Aquilo é um código QR?



Algo que, no entanto, me incomodou, foi uma marca abaixo no banco traseiro, mostrada logo abaixo na imagem. Embora o estado do estofamento esteja bom para um carro de 138 400 quilômetros, provavelmente cuidado com hidratação e afins, isso me deu já uma agonia. Não sei se seria possível arrumar (estou confiante que sim). Sou um perfil de comprador que se vir um rasguinho na foto de um banco de um anúncio de um automóvel na Internet (além de carência de fotos de interior, e fotos com qualidade pior que de uma Tekpix), eu já descarto. Mas esse é o meu perfil, não o da minha mãe.


Oh Lange... por que...

Assim como no Ka, falta um cinto de três pontos para o quinto passageiro.




Encontrei certa dificuldade para encontrar posição para dirigir. A alavanca de ajustar altura tem um funcionamento infeliz: para o banco levantar, você tem de levantar as suas nádegas, como se fosse uma espécie de exercício de Pilates, além da posição péssima e que exige praticamente a porta aberta. A "roda" de reclinar fica do outro lado do banco, exigindo mais esforço do que o usual, não apenas pelo tamanho diminuto mas também por estar praticamente apertada entre os bancos, próxima ao console. A alavanca de ajustar a altura do volante é dura e causa a sensação de que irá estragá-la. Poderia ter também ajuste de profundidade, o que limita pessoas com braços maiores, como eu...

Apesar de tudo, o banco possui anatomia adequada. O pedal de freio tem curso bem curto (será falta de ajuste?), e os demais estão corretos. O posicionamento deles é satisfatório. Há outras falhas de ergonomia também, com os comandos de ventilação confusos (e distantes das mãos) e que exigem um certo costume para o ajuste correto, além do comando dos retrovisores elétricos, que fica próximo à alavanca de câmbio. O volante tem bom aspecto com o revestimento, no entanto a anatomia para as mãos e polegares do volante do Ka é melhor.


A central multimídia? Esqueci de levar o meu leitor de cartão com USB, iria já colocar um Take My Breath Away... Ficou aí só de enfeite.



Puxador da porta adequado, mas já com barulho e montagem relaxada (a questão é se já saiu de fábrica ou se "ganhou" ao longo do tempo). O aspecto de preto brilhante denuncia com facilidade risco e sujeira.

Dando partida, boas surpresas. O motor, de fato, é bem suave, ao menos foi assim em todas as faixas de operação no mini-teste feito. É o velho conhecido K4M, estreado em 1999 em alguns modelos da Renault. A impressão é que ele vai bem em todos os carros nos quais ele foi aplicado: no Clio, Symbol, Logan, Mégane... é claro que este aqui recebeu algumas atualizações, com 107/112 cv (álcool e gasolina respectivamente) e 15,1/15,5 m.kgf de torque. São valores bons para um carro um tanto pesado, 1117 Kg. É um motor de manutenção simples e confiável, como se espera desses motores já com certa idade no mercado.

Vamos embora? Vamos. Além da suavidade, o carro tem muito boa disposição, o que me permitiu subir um aclive bem inclinado em terceira marcha. Bons os grafismos no painel de instrumentos, com decoração interessante e boa visualização. O motor é relativamente silencioso até a faixa de 3000 rpm, então fazendo um barulho curioso (talvez um ruído de acasalamento?). A transmissão é que decepciona. Ela tem engates sem firmeza, principalmente da segunda para a terceira marcha, podendo levá-lo a duvidar de si mesmo se você a trocou adequadamente. Além disso a alavanca parece molenga, evidentemente quando você coloca em ponto-morto. A anatomia da alavanca é boa, mas o engate é melhorável, poderiam ter herdado isso do Mégane. Não, eu não sabia qual combustível ele estava utilizando.

Passando pelos malditos paralelepípedos, bastante ruído interno de plástico (e incômodo), talvez mais que o próprio Corsa, evidenciando montagem precária no acabamento interno (o negócio é encher o carro de isolamento). Aqui se nota conforto de rodagem e, com a altura livre do solo de 18,5 cm, fica ainda melhor para passar por malditas lombadas. E ele passa bem por lombadas. A direção, com assistência hidráulica, é também melhorável, algo pesada em manobras.

Bom, a segurança... é... abaixo do medíocre. Falta itens que estão disponíveis, inclusive no Sandero romeno (e com rodas de ferro), como bolsas infláveis laterais, cinto de três pontos para o quinto passageiro e controles de tração e estabilidade. Pelo menos tem os repetidores laterais de direção que, na geração atual, ficaram agora restritos somente às versões mais caras, com as Dynamique e Stepway.

O pacote do carro é bom: bolsas infláveis frontais, freios antitravamento, direção assistida, vidros elétricos nas quatro portas, ar-condicionado, revestimento dos bancos em couro sintético, central multimídia (essa eu dispenso, eu posso brincar com isso quando eu for passageiro) e rodas de alumínio.

O porta-malas não chegamos a ver (por pressa mesmo, mamãe tinha de ir trabalhar, aqui a margem de atraso é maior porque Mococa tem pouco congestionamento e é tudo perto quando se tem um carro), mas o tamanho é muito bom para o porte, com 320 litros de capacidade.

É um carro razoável, mas sinceramente eu não compraria, seja pelas impressões, seja por aquele detalhe, seja pela quilometragem (não que o carro não aguente, eu tenho certeza que esse passa dos 500 mil quilômetros com facilidade). Pelo preço, acho que dá para encontrar coisa melhor no mercado. Vai depender da mãe agora. Ah, só para dizer... ela desistiu do Up (ela ouviu de uma amiga dela que o carro é pequeno e não cabe nada dentro, aí ela caiu na evidência anedótica e não tira da cabeça) e o acha "um carro quadrado e pequeno" e quer um carro "com porte e posição alta de dirigir". É algo contraditório talvez. Ela quer um carro que caiba na garagem mas que também tenha um porte robusto (talvez ela goste do Onix). Papai querido, dê o seu Toyota Rav4 para ela...

Se for o caso, eu mesmo testarei mais carros aqui na cidade (ou em outras, neste caso, avisando à mãe, é claro), se eu encontrar. Vou ver o que posso fazer.


Pontos fortes:
- Suspensão;
- Detalhes visuais do interior;
- Aspecto visual do interior;
- Painel de instrumentos;
- Desempenho;
- Suavidade do motor;
- Versatilidade;
- Espaço interno;

Pontos fracos:
- Qualidade construtiva;
- Transmissão;
- Ergonomia;
- Segurança;
- Refinamento;
- Acabamento interno;

Ficha técnica:

Motor: dianteiro, flexível em combustível, transversal, quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio, tração dianteira.
Taxa de compressão: 10:1
Cilindrada: 1598 cm³.
Diâmetro e curso: 79,5 mm e 80,5 mm.
Freios: dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor.
Potência e torque máximos: 107/112 cv a 5750 rpm (gasolina e álcool respectivamente) e torque de 15,1/15,5 m.kgf a 3750 rpm (gasolina e álcool respectivamente).
Transmissão: manual de cinco marchas, todas sincronizadas. 
Relações de marcha: 1ª 3,36; 2ª 1,86; 3ª 1,32; 4ª 1,03; 5ª 0,82; Ré: 3,55; Relação de diferencial: 4,50
Suspensão: dianteira independente McPherson e traseira eixo de torção.
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica.
Diâmetro de giro: 10,5 metros

Dimensões:
Comprimento: 4,09 metros
Largura: 1,75 metro
Altura: 1,578 metro (com barras de teto 1,64 metro)
Distância entre eixos: 2,58 metros
Massa: 1117 Kg
Porta-malas: 320 litros



Pneus: 195/60 R16

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