domingo, 11 de junho de 2017

Volkswagen Fox 1,6 2014: primeiríssimas impressões





Apesar da idade de projeto, um carro plausível (foto: Volkswagen)

É certo que se você é um dos leitores deste blog, você pode ter notado a ausência do autor por semanas e semanas... por inúmeros motivos envolvendo outras atividades, me abstive e então priorizei outras coisas. Comemoremos agora o aniversário de 1 ano do blog.

Vamos então ao que realmente importa, mostrando-lhes neste domingo "outonesco" as minhas curtas impressões sobre um carro que há certo tempo queria conhecer: o Fox.

O desenho exterior realmente é bom, com certa discrição e sem esperar suspiros, com linhas harmoniosas e que, na opinião do autor, bem melhores que as da (outra) cirurgia plástica (ou melhor, cirurgia metálica) feita na linha 2015, cuja pobre alma recebeu ingratas adaptações mal-feitas e esquisitas, como se a equipe da marca estivesse feito às pressas só para ficar menos envelhecido diante dos concorrentes.

O carro foi avaliado por algumas centenas de metros nas ruas ao redor do Jardim Chico Piscina, além de outros bairros próximos, na cidade de Mococa-SP. A primeira impressão clara é a posição de dirigir, remetendo às extintas minivans e aos pedais um pouco deslocados, que mereciam melhor colocação, no entanto é fácil achar a posição para guiar. Há espaço de sobra para a cabeça e o banco dianteiro acomoda bem, de modo que pessoas mais altas possam se sentar sem raspá-la. O detalhe é que minha altura é de 1,73 m. O interior mostra a princípio esmero no acabamento mas para olhos mais atentos pode-se notar desvios, como foi detectado em uma parte próximo a porta do motorista, perto do início da coluna B (de cima para baixo). Os plásticos têm bom aspecto e o tecido dos bancos é algo simples e áspero e, apesar de haver tecido nas quatro portas (e com boa parcela), não há espuma, parecendo então um plástico rígido texturizado. Esperamos que tal desvio próximo a coluna seja um caso específico do modelo e um mero defeito de fabricação. Mas decepciona para uma marca que em outros países mais desenvolvidos é conhecida pela boa qualidade construtiva.

Motor ligado, o silêncio deste é um destaque e não incomoda de modo algum, além de suave (apesar de em altas rotações não ter sido avaliado), não obstante a simples concepção (ver adiante na ficha técnica¹). A direção é precisa e leve em baixas velocidades, com a tradicional assistência hidráulica, nos tempos de hoje já sendo trocada pela mais moderna assistência elétrica. É fácil acompanhar o tráfego e enfrentar aclives com o disposto motor, com relações de marcha adequadas para se andar nas cidades embora, claro, para quem dirige o Corsa, a diferença é realmente impressionante, a começar pelas relações de marcha que, no pequeno Chevrolet, permite que você transponha lombadas (quando são bem-feitas e não parecem calombos e dejetos do demônio) em quarta marcha e sem o motor causar o chamado lugging (vibrações nocivas, ver aqui), enquanto no Fox é mais adequado reduzir uma marcha, apesar do motor bem mais forte, sem chegar a incomodar. O melhor do carro certamente está no câmbio: a caixa MQ200 tem engates leves, precisos e macios, permitindo que você possa dirigi-lo sem cansar tanto, mesmo em congestionamentos. Com comandos e pedais leves e precisos você pode dirigi-lo com suavidade e visando economia de combustível, com o painel de instrumentos com concepção ainda atual e trazendo certo requinte, com um excelente contraste entre o grafismo branco e o fundo preto, como é ainda em alguns outros modelos mais caros da marca. A suspensão está dentro do conceito comum na categoria, dianteira McPherson e traseira com eixo de torção, absorvendo bem pequenas irregularidades e passando bem por lombadas (não tive a oportunidade de andar em ruas com piores condições). Os retrovisores externos são bons e, com controle elétrico, fáceis de ajustar e a visibilidade geral do carro é satisfatória.

Destaque também para a ergonomia, com comandos de fácil acesso, exigindo só mais atenção ao controlar o ar-condicionado com controle manual.

Dito isso, é um carro que mesmo com seus mais de 14 anos de mercado na mesma carroceria, ainda reúne bons dotes e uma boa opção de carro usado para quem quer um carro versátil, compacto e com aptidão para enfrentar o trânsito.

A título de comparação e curiosidade, veja a considerável diferença nas relações de marcha entre os dois carros:

Relações de marcha (Corsa): 1ª 4,18:1; 2ª 2,14:1; 3ª 1,41:1; 4ª 1,12:1; 5ª 0,89:1; Ré 3,13:1;
Relações de marcha (Fox): 1ª 3,455:1; 2ª 1,954:1; 3ª 1,281:1; 4ª 0,927:1; 5ª 0,740:1; Ré 3,182:1


Ficha técnica:

Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, duas válvulas por cilindro, bloco em ferro fundido e cabeçote em alumínio, tração dianteira, flexível em combustível.
Taxa de compressão: 12,1:1
Cilindrada: 1598 cm³
Diâmetro e curso: 76,5 mm e 86,9 mm.
Freios: dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor.
Potência e torque máximos: 101/104 cv a 5250 rpm e 15,4/15,6 m.kgf a 2500 rpm (gasolina/álcool).
Transmissão: cinco marchas, todas sincronizadas.
Relações de marcha: 1ª 3,455:1; 2ª 1,954:1; 3ª 1,281:1; 4ª 0,927:1; 5ª 0,740:1; ré 3,182:1
Suspensão: dianteira independente McPherson e traseira eixo de torção.
Direção: pinhão e cremalheira, com assistência hidráulica.
Diâmetro de giro: 11,2 metros

Dimensões:
Comprimento: 3,823 metros
Largura: 1,641 metro
Altura: 1,543 metro
Distância entre eixos: 2,465 metros
Massa: 1046 Kg
Porta-malas: 260 litros
Pneus: 195/55 R15

¹O motor, denominado EA-111, é derivado do Audi 50 da década de 70 (tecnicamente o ancestral do Audi A1), estreando aqui no Brasil em 1998 com a chegada do Golf de quarta geração, só que 1,6 litro.

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