domingo, 9 de outubro de 2016

(Por alguns dias) Chevrolet Onix é capaz de lidar em aventuras urbanas


Capaz de andar por más ruas, o modelo tem pontos a melhorar

Se você conhece o blog, sabe que fiz uma pequena avaliação contando as primeiras impressões durante uma aula prática. Como se sabe, apenas um período de tempo tão curto talvez não possa ser suficiente para você, que possivelmente está interessado nele no mercado de usados, visto que  recebeu uma pequena atualização, de gosto questionável, por sinal.

Dito isso, usei-o durante vários semanas nas curtas aulas. As primeiras impressões são as que ficam, sim? Sim. Mas e as segundas? E as terceiras? Serão contadas agora mesmo.

Na linha 2017, como você já viu na matéria, o carro recebeu algumas modificações. Isso, entretanto, não deixou que a própria marca deixasse o anterior e vendesse com algumas mudanças importantes.

A versão LS, usada na frota da auto-escola (deixando claro que o objetivo não é fazer publicidade desta), vem com itens como direção assistida, ajuste de altura no banco do motorista, volante com regulagem em altura, cintos dianteiros com pré-tensionador e ar-condicionado com ajuste manual, como itens de maior relevância.

Interior

Entrando no carro, com um desenho controverso e de linhas polêmicas, tais como a traseira, cujos faróis e vidro traseiro destoam de todo o conjunto, a primeira coisa sendo notada é o infeliz puxador da porta, em posição baixa e que exige um pouco mais de força (se você tem problemas de coluna, cuidado). Interessante que se tem uma dupla vedação, de modo que o som da batida é bem abafado. 

No bom volante espumado, padronizado com os outros modelos da marca, é possível achar uma boa posição, que parece ter sido herdada de uma minivan, minivan esta com a qual ele compartilha a plataforma, a Spin. Mesmo abaixando o banco, a posição de dirigir continua longe de ser esportiva. Poderia ter uma regulagem mais ampla para agradar a mais pessoas, como eu.

O painel, simples e emprestado do Sonic do mesmo período, é de fácil visualização e opera muito bem, de modo que o monitoramento do digitalizado velocímetro torna-se simples. Existe também um bom conta-giros, de tamanho adequado, que "harmoniza" com o velocímetro. 

O acabamento é, como se espera de um subcompacto, simples. Mais simples ainda por ser a versão básica. Mas isso é longe de ser uma desculpa para colocar plásticos rígidos e vulneráveis a riscos e com montagem duvidosa em algumas seções. Apesar da variedade de tons e de texturas ter sido uma boa solução. No modelo em questão não existe acionamento de vidros elétricos, no entanto a crítica vale para a má posição de seu acionamento, em todas as portas, com os botões nas portas traseiras que mais parecem para os pés e, no caso do vidro do motorista, o posicionamento é algo recuado e exige um certo esforço em afastar seu braço. No modelo 2017, essas correções foram feitas.

Dando um passeio

Ligado o carro, detalhe curioso é o "varrimento" do conta-giros, que existe também em vários outros modelos no mercado. 

Os retrovisores externos, de ajuste relativamente simples, têm boa visibilidade para o trânsito. Esterçar com a direção, com assistência hidráulica, é algo que exige mais esforço e que, apesar disso, traz segurança no trânsito.

Pedais bem posicionados (não deu para eu tentar fazer o punta-tacco nas aulas, infelizmente), cujo acionamento do freio é algo um tanto brusco e que requer um pouco de costume. O acelerador responde bem e a embreagem tem acionamento macio.

O motor, velho conhecido da marca e de muitos mecânicos, denominado SPE/4, um Família I com aprimoramentos, se destaca pela suavidade de funcionamento, assim permitindo levar a altas rotações sem provocar vibrações. O ruído, por outro lado, incomoda bastante a partir dos 3000 rpm. Com soluções já ultrapassadas tais como comando único e ferro fundido em cabeçote e bloco, e uma alta taxa de compressão (herdada do Celta), os 80 cv e 9,8 kgfm de torque (com álcool e a altos 5200 rpm) em um carro de 1019 Kg, traz limitações em determinadas subidas. Mas o problema não é apenas esse, mas que influencia também no consumo, visto que, como o motor tem uma alta potência específica e com foco em maiores rotações, exige maior dose no acelerador. É certo que acionar o ar-condicionado e com quatro pessoas em viagens, deixará essa característica mais evidente. Pegue o 1,4 litro. Os vizinhos latino-americanos só compram com esse motor e não sentem nenhuma falta do motor menor.¹

Acionar as marchas no câmbio, de manopla ergonômica, é que faz parecer que você está em um carro velho e mal-cuidado: produz um barulho incômodo que também passa a sensação do motorista estar fazendo algo errado. Também poderia ser mais leve, apesar de preciso. Bem dimensionados são os freios com ABS, dianteiros a disco ventilado e traseiros a tambor.

Andar sobre pavimentos ruins, por outro lado, não parece ser tão ruim com o modelo. Embora tradicional no conceito, com dianteira independente McPherson e traseira com eixo de torção, absorve bem pequenas irregularidades, transpõe lombadas com competência e, em impactos sobre buracos, não produz barulho, mesmo em buracos com tamanho próximo de um bueiro, de maneira que você mais sente do que ouve. 

Espaço, segurança e conclusões

O banco do motorista, com abas mais pronunciadas que o antecessor Corsa, é anatômico e com densidade de espuma adequada para pequenos trajetos. O espaço interno dianteiro é satisfatório. O traseiro, no entanto, não foi possível de ser mensurado. Mas com o entre-eixos de 2,528 metros, (teoricamente) não deve decepcionar. O porta-malas com 280 litros tem espaço na média da categoria.

Segurança do modelo é um tanto medíocre, ou melhor, abaixo de medíocre. A plataforma moderna GSV não impediu que o carro tivesse uma pontuação de 3 estrelas para adultos e 2 estrelas para crianças no Latin NCAP. Não se precisa mencionar também a falta de opção por bolsas infláveis laterais e de cortina, além dos importantes controles de tração e estabilidade. Mal este que, infelizmente, ainda assola muitos de seus concorrentes.

Para quem busca um modelo com bom espaço interno, robustez, ampla rede autorizada e conforto de marcha, parece ser boa opção. Recomendo, no entanto, que você olhe os concorrentes mais atraentes (incluindo no mercado de usados), tais como Nissan March, Hyundai HB20, Renault Sandero... Mas caso você opte por ele, pegue pelo menos a versão 1,4 LT. Já oferece um nível de conforto mais satisfatório, além do motor que, apesar de ainda antiquado, ser bem mais adequado e com menor consumo. 


+ Conforto de marcha    
+ Espaço interno
+ Robustez

- Ergonomia
- Eficiência
- Direção pesada
- Preço
- Acabamento 
- Ruído (acima de 3000 rpm)
- Ruído do câmbio

Ficha técnica

Comprimento: 3,93 metros
Largura: 1,70 metro
Altura: 1,48 metro
Entre-eixos: 2,53 metros
Suspensão: Dianteira independente McPherson, traseira eixo de torção.
Freios: Dianteiros a disco ventilado, traseiros a tambor, com sistema ABS e EBD.

¹ A opção pelo Onix com motor 1,0 litro só existe no Brasil.

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