domingo, 10 de julho de 2016

Hyundai Accent, opção coreana com direito a primos


Há mais de 20 anos, este carro vem oferecer uma opção mais econômica e acessível

Nem todos sabem, mas a Hyundai não é uma marca tão jovem assim no mercado mundial de automóveis. Fundada em 1947, tornando-se como tal em 1967, a marca começou tímida, mas mostrou que os sul-coreanos também são capazes de produzir carros.

No Brasil passou atuar somente após a abertura das importações, trazendo o Accent e anos mais tarde o Elantra. No entanto o Accent saiu de cena, o Elantra entrou meio que de férias e retornou somente a partir da década de 2010, totalmente diferente, na nova filosofia de desenho da marca.

Veio para substituir o Hyundai Excel no segmento de entrada da marca, que por sua vez era substituto do Hyundai Pony.

O Hyundai Pony, que tecnicamente seria considerado hoje o ancestral dele, chegou em 1975 com motores Mitsubishi. Vamos falar um pouco dele?

Seu desenho era simples e dentro das tendências da época, com grande área envidraçada e linhas retas. Giorgetto Giugiaro não perdoou nem os coreanos e decidiu desenhá-lo.


Ofereceu inúmeras carrocerias e três motorizações. Além de ter sido exportado para os EUA, sob a profunda crise do petróleo, também foi enviado para os mercados chileno, argentino, colombiano, equatoriano, egípcio, holandês, grego e belga. O Brasil, sob o protecionismo do regime militar, infelizmente não o recebeu.

Anúncios para os coreanos, cujo entendimento é impossível para o autor...

... esses são mais fáceis! Foi oferecido também aos europeus. 

Para os estadunidenses

O Accent (sempre importado da Coreia do Sul) chegou em 1994, nos Estados Unidos, inicialmente em carroceria sedã quatro-portas, no ano seguinte um hatchback três-portas sendo adicionado. Três versões foram oferecidas, a hatchback L (o mais em conta), e versões básicas de ambas as carrocerias hatchback e sedã. Para este mercado, somente uma cilindrada foi oferecida, a 1,5 litro. Motor simples, quatro-em-linha e três válvulas por cilindro, com 92 cv e 13,2 kgfm. Caixa automática de quatro marchas e uma manual de cinco marchas foi disponibilizada para ambos os modelos, como exige os estadunidenses.

Seus principais competidores foram o Ford Aspire, Geo Metro e Toyota Tercel.

Este motor foi o primeiro desenvolvido pela marca na Coreia, conhecido como Alpha. É o pai do hoje conhecido Gamma. Você notou que a denominação representa uma letra do alfabeto grego?

O pacote de segurança era bom para seu tempo, com duas bolsas infláveis de série e com opcionais freios antitravamento, exceto na versão L. 

No entanto, segundo medições do EURO NCAP, o modelo foi reprovado por uma pontuação de apenas 4, em relação a 16 pontos. Apesar disso a sueca Folksam considerou-o um dos mais seguros em sua categoria. 

As dimensões eram pequenas, sendo 4,1 metros de comprimento para o hatchback (4,12 metros para o sedã), 1,62 metro de largura, 1,39 de altura e 2,40 metros de entre-eixos. Com massa de 953 a 975 Kg, o desempenho era modesto e suficiente para o carro. O porta-malas do sedã era de 302 litros e o do hatchback era de 472 litros. Curioso, não?

Neste anúncio grego de Natal, de 1998, o carro até que ficou charmoso com os chifres...

As linhas tinham a tendência da década de 90, como a ausência de grade dianteira e predominância de linhas arredondadas, embora o visual do carro não desperte paixões. O interior, também simples como se espera na categoria, destaca o uso de linhas arredondadas.

De linhas simples e arredondadas, o carro (na opinião do autor) não desperta suspiros. Primeira foto, sedã, segunda, hatchback três-portas.

A versão esportiva GT chegava em 1996, com suspensão mais firme, rodas de alumínio de 14", tacômetro, spoiler traseiro, lanternas de neblina, acabamento interno todo em tecido e um sistema estéreo com quatro alto-falantes. Nada mal.

Com mudanças estéticas, o modelo GT trazia um forte motor 1,5 com 105 cv e alterações na suspensão.

O motor, de mesma cilindrada, só que com duplo comando de válvulas e quatro válvulas por cilindro, com valores de 105 cv e 13,9 kgfm de torque, era exclusivo da versão. Sairia de produção em 1998. Vinha somente em carroceria notchback (ou seria coupé?).

Em 1999 a opção por freios antitravamento sumiria (mas por quê?), a marca estendia a garantia e fazia cortes de preços na linha.

Segundo a avaliação do Consumer Guide, o carro:

"Aceleração do motor básico é adequada pela cidade com ambas as transmissões manual e automática. Na estrada, por outro lado, requer esticamento em estrada aberta. O motor também se esforça muito mesmo quando em pequenos aclives. [...]

Hyundai um grande passo ao melhorar a suspensão. O rodar é agora acima da média para um carro pequeno. A suspensão absorve bem a maioria das irregularidades e tem boa estabilidade em velocidades de estrada. Maiores irregularidades produzem ruidosas batidas; mas a maioria dos obstáculos menores são tomadas no tranco. Habilidade de dirigibilidade é adequada, mas os pneus estreitos do Accent facilmente perdem seu controle.

Espaço interno é bom na frente para adultos, mas o assento traseiro é muito pequeno para qualquer que seja mais alto que 1,70 m. O painel de instrumentos é limpo e legível, com mostradores fáceis de ler e controles lógicos, mas alguns motoristas acharam o volante fixo muito alto para conforto. A visibilidade é boa em ambas as carrocerias. Um grande porta-luvas e grandes porta-objetos nas portas ajudam no espaço para objetos."

Para as demais partes do mundo, o modelo teve algumas particularidades. 

Para los venezolanos, o modelo foi vendido como Dodge Brisa, sob aliança da marca com a Daimler Chrysler. Produzido na Los Montones de Barcelona, uma importantíssima zona industrial do país que hoje, infelizmente, não é mais a mesma de antes (como será que ela está hoje sob Nicolás Maduro?). Foi vendida em duas gerações, respectivamente em 2002 a 2006 e deste ano a 2009, somente com o motor 1,3 litro da mesma família, de 82 cv.

Para os europeus, tomando como referência o Reino Unido, o carro foi oferecido em três motores, 1,3 litro 12V de 85 cv, 1,5 12V de 92 cv e 1,5 16V de 105 cv. 

Também foi vendido em outras partes do mundo, na qual abordaremos só adiante.

Vale lembrar, as primeiras duas gerações foram as duas únicas oferecidas no Brasil, na época em que a marca tinha (ainda) pouca reputação no país. Um pedido do autor: troquem o atual HB20 e o substituam pelo Accent.

A segunda geração

Chegou em 2000, cujas dimensões aumentaram em 12,7 cm de comprimento, sendo que o entre-eixos aumentou 4 cm e a largura aumentou quase 5 cm. A massa do carro aumentou em até 87 Kg. Certamente para atender as exigências de segurança dos estadunidenses.

Seus principais competidores eram o Ford Focus, Chevrolet Metro, Honda Civic, Nissan Sentra, Mitsubishi Mirage, Toyota Echo, Daewoo Lanos e Kia Rio.

O desenho do carro, algo antiquado, continuou discreto, sem provocar surpresas e apesar disso continuou harmônico. 

Alguns podem não acreditar, mas nem sempre a Hyundai fez desenhos ousados em seus carros, permanecendo assim por vários anos até o início da década de 10 deste século.

De dimensões idênticas, continuaram sendo oferecidas ambas as carrocerias. O motor 1,5 litro, o mesmo citado anteriormente com 92 cv, continuou sendo ofertado para os carros.

O hatchback continuou sendo produzido. Estava mais para um notchback do que um hatchback, de fato.

A Hyundai não apenas mudou o visual do carro e aumentou as dimensões. Aprimorou o isolamento acústico, deixou mais suave e com melhor transmissão. Reforços nas colunas A e B, capô e duplo isolamento nas portas também foram outras melhorias.

Segundo ela, também aumentou espaço para pernas, quadris e cabeça. 

O interior também foi renovado, com novos volante e painel de instrumentos. Como se espera nessa categoria, o aspecto era simples, mas com montagem caprichada.

O interior continuava tradicional e bem-acabado.

Na básica L, destaques para bolsas infláveis frontais, direção assistida, desembaçador traseiro (sejamos justos, é um subcompacto), sistema de áudio AM/FM para fita-cassete (fita-cassete?) e calotas. Para as de topo (GL sedã e GS hatchback), banco do motorista com ajuste de apoio lombar e de altura, relógio digital e tacômetro. Ar-condicionado e controles elétricos de vidros, retrovisores e travas eram opcionais.

Você notou que a marca... sim, ela tirou os freios antitravamento. Nem como opcionais. Algo digno de lamentação e sem explicação clara. Talvez um dos poucos casos de depenação de itens de segurança num mercado como o estadunidense. Mas pelo menos ganhou a opção só... em 2005, seu último ano de vida.

Para 2001 Accent L substituiu o GS três-portas hatchback, este mantendo o mesmo motor 1,5 litro. Os modelos GS e GL ganharam um motor maior, o 1,6 litro 16V com 105 cv e 14,6 kgfm. A transmissão automática de quatro marchas virou opção para toda a linha, exceto para o L. Freios assistidos eram de série no L.

No ano seguinte o ar-condicionado veio nas versões GS e GL e como opcional na L. 

Toda a linha recebia uma plástica no ano de 2003. O básico hatchback usava agora o mesmo motor dos seus equivalentes mais caros, embora ainda venha somente com transmissão manual. Bolsas infláveis laterais foram disponibilizadas como opcionais para toda a linha.

O modelo teve faróis dianteiros e traseiros modificados, além de nova grade. Foram mudanças discretas que de certa forma não ficaram ruins no modelo que ainda era conservador no desenho.

E você, considera este um notchback ou hatchback?

Fazendo jus a sua tradição de motores com duplo comando, o 1,6 litro era oferecido também ao hatchback.

Na linha 2004 era adicionada a versão GT, com suspensão esportiva, faróis de neblina, rodas de alumínio e spoiler traseiro. Somente em carroceria hatchback. Poderia ganhar opção de transmissão automática. Sim, esportivo com câmbio automático era apreciado pelos norte-americanos. Também recebia o mesmo 1,6 dos outros modelos da linha. Além disso toda a linha (isso mesmo, toda a linha) ganhou bolsas infláveis laterais de série. 

O GT vinha com mudanças discretas, mas o toque esportivo ainda era percebido pelas três portas e pelo spoiler.

Foi avaliado pela Car and Driver, assim resumindo:

 "O Accent GT é tanto um GT quanto um grande pedaço de mussarela. Mas é um carro pequeno sólido, bem-equipado por um preço invencível. "Barato o quanto possível" parece melhor do que nunca."

Agora você podia colocar aquele disco da sua banda favorita para tocar no carro.

No seu último ano, 2004 (como linha 2005), os freios antitravamento tornaram-se opcionais em um pacote incluindo ar-condicionado, vidros e travas de acionamento elétrico e... toca-CD's! Demorou cinco anos para a marca raciocinar se punha ou não os freios ABS. Nunca é tarde, não acha? Ficou somente em duas versões, a GLS e GT. 

A terceira geração

Estreado no New York International Show de 2005, o modelo chegou todo novo. Foi introduzido juntamente com o seu "irmão de elite", o Azera.

Dentro da agressiva política da marca, o modelo já vinha com bolsas infláveis laterais e de cortina de série em toda a linha, além de ganhar novos pacotes de opcionais. Cintos de três pontos e encostos de cabeça ficaram agora para os cinco ocupantes.

O desenho, embora ainda longe da ousadia da marca, tornou-se menos conservador e bem mais atual.

O pequeno sedã procurou conciliar modernidade e tradição, nessa nova geração.

BÔNUS: durante minha viagem a Orlando, flagrei a versão hatchback dessa geração. Note a traseira bem menos pronunciada, assim como os repetidores laterais de luzes de direção, estes ainda pouco comuns em muitos carros para aquele mercado.

Também ganhou em dimensões, ficando 4,57 cm maior, sendo que o entre-eixos ganhou quase 6 cm! Ficou 2,54 cm mais largo e 7,6 cm mais alto. O motor único de 1,6 litro ganhou 6 cv, totalizando 110 cv. A massa começava a partir de 1119 Kg. 

O hatchback acomodava 450 litros no porta-malas, enquanto no sedã cabiam 351 litros... Que medições os norte-americanos usam?

O curioso é que o modelo compartilhou seu desenho com o seu primo Kia Rio, com o qual compartilha a plataforma até os dias de hoje. 

A marca ofereceu uma das garantias mais longas, com 5 anos e 60 mil milhas (milhas mesmo, não quilômetros), cobertura para o motor de 10 a 100 000 milhas e assistência em rodovias de 5 anos, independente da milhagem.

O interior também foi modernizado. O acabamento ganhou alguns materiais de melhor qualidade e maior esmero. Claramente a marca deu uma nova vida ao carro.

O interior também teve a ergonomia melhorada, além do novo painel de instrumentos.

Mas como assim... o carro tem seis bolsas infláveis, mas onde estão os vidros elétricos? Sim, isso era comum nessa categoria. Primeiro a segurança ativa e passiva! Mas não se preocupe, você podia escolher versões com vidros elétricos nas quatro portas.

Seus principais competidores foram o Toyota Yaris, Ford Focus, Chevrolet Aveo (o ancestral do atual Sonic) e Honda Fit (que curiosamente chegou lá no mercado norte-americano anos depois do resto do mundo, incluindo o Brasil).

A Hyundai comete o mesmo erro, entretanto, ao deixar os freios antitravamento como opcionais a partir de 2006 nas versões GS (esta criada) e GLS, portanto a SE (também criada) tinha o sistema de série. 

Para a linha 2008 o painel de instrumentos tinha mudanças. Melhorias pequenas vieram no motor no ano seguinte, que diminuíram o consumo de combustível. Em 2009 chega a versão Blue, uma versão de baixo custo, somente com câmbio manual e com acertos para melhorar aerodinâmica e alongar as relações de marcha, de modo a diminuir o consumo.

Ele passou seu último ano, 2010, sem mudanças.

A Consumer Guide resume:

"Accent subiu o nível em relação aos demais subcompactos ao fornecer bolsas infláveis laterais e bolsas infláveis de cortina como itens de série. Esses hatchbacks e sedãs são pouco silenciosos, mas eles entregam sólida qualidade construtiva, espaço interno razoável e mais equipamentos que o baixo preço do carro poderia sugerir. Uma forte garantia adiciona o apelo de melhor compra do Accent como um carro de entrada. Accents não seguram seus preços tão bem, então os preços dos usados tendem a ser relativamente baixos"

Um novo carro

A quarta e atual geração chegava em 2011, estreando, por fim, a filosofia de desenho da marca que iria marcar essa nova década. Chegou através do Montreal Auto Show.

O carro não somente cresceu em suas dimensões e no padrão de desenho, mas também nos preços...

O hatchback três-portas saía e ficava no seu lugar um de cinco-portas, pela primeira vez na história do modelo. Continuava o sedã de quatro portas.

Em dimensões, o carro crescia 8,9 cm em comprimento, (e o hatchback aumentava em 6,8 cm), a largura 0,5 cm, a altura perdia 2 cm e o entre-eixos adicionava 7,1 cm. Emagreceu, agora com 1086 Kg iniciais...

Desde a versão básica GLS (ou GS para a hatchback), destaque para seis bolsas infláveis, controles de tração e estabilidade, computador de bordo, ajuste de altura no banco do motorista e travas elétricas. 

O interior tinha acabamento aprimorado e ganhava revestimento de tecido nas portas, com uma considerável área, inclusive nas portas traseiras (enquanto outros concorrentes simplesmente têm o tecido retirados das portas...). Como comum no mercado, havia tons claros ou escuros para o revestimento do tecido. 

Novos também eram o câmbio automático de seis marchas, assim como o manual de seis marchas. O automático tinha uma tecla chamada "Active Eco", para diminuir o consumo, ao alterar programação do câmbio e o acelerador.

O desenho do carro, de fato, evoluiu e muito. As linhas fluíam e sugeriam movimento (não vou fazer poesia). Tinha certa identidade com os irmãos Elantra e i30 (ou Elantra GT para os estadunidenses).

Na opinião do autor, o hatchback tem um desenho mais bem-resolvido. O sedã só merecia uma traseira mais espichada, para trazer mais harmonia ao conjunto. Apesar disso, ótimo trabalho de desenho nele.


Os carros, de fato, ficaram com um padrão de desenho muito bom. O hatchback, com a traseira mais alongada, de certa forma poderia lembrar uma perua, como foi o A3 cinco-portas de segunda geração...

Os porta-malas tinham capacidades de 387 litros e 600 litros, respectivamente para o sedã e para o hatchback. Eu pergunto de novo: como eles mensuram a capacidade de volume do porta-malas?

Interior aprimorado e um novo câmbio automático eram grandes destaques da nova geração.

O motor, o mesmo 1,6 16V para ambas as carrocerias, agora tinha 138 cv e 17 kgfm de torque.

Os concorrentes principais do modelo eram (e ainda são hoje) o Honda Fit, Chevrolet Sonic, Ford Fiesta, Kia Rio (seu primo) e Toyota Yaris.



"Minha esposa me deixou por um cara com sotaque extravagante." Criativo, não? E notou o trocadilho? Este anúncio é da marca na África do Sul.

Para a linha 2013 do modelo, novidades principais foram o básico sedã GLS com transmissão manual, ganhando equipamentos e... aumentos de preços. Todos os modelos ganharam aquecimento nos espelhos retrovisores e chave com controle de trava. Nova opção também foi o teto solar para a versão hatchback de topo, a SE.

Já na linha 2014, o modelo ganhou ajustes de altura e profundidade na versão SE.

O modelo é produzido até os dias de hoje, e continua sendo importado da Coreia do Sul para os estadunidenses. Apesar de ser originalmente coreano, também é fabricado na China pela Beijing Hyundai, na Índia, em Taiwan, em Moçambique e na Rússia.

Na Índia

Marca de grande prestígio naquele país (o Hyundai Creta hoje está aí para nos provar), o modelo, vendido sob o nome Verna, foi oferecido com motores a diesel e a gasolina, cada qual com opções 1,4 e 1,6 litro. E não esqueça do volante à mão inglesa. O que se sabe é que hoje o carro recebeu uma plástica. E ficou muito boa, por sinal.

Ah, e o modelo convive juntamente com os seus irmãos i10 (city-car) e Grand i10 (o que seria o atual i10).



Para os russos

Что¹? Sim, até os russos tem o modelo. Como é conhecido, o Hyundai Solaris é vendido com os motores 1,4 de 109 cv e 13,9 kgfm, além do mencionado 1,6, da mesma família Gamma. Está disponível, além do câmbio manual de seis marchas, um automático de quatro marchas.


Na Europa, sabe-se que, ao menos no mercado inglês o Accent já havia saído de cena há muitos anos, tendo seu lugar ocupado pelo i20. Vamos falar dele?


Estreado no Paris Motor Show em outubro de 2008, o modelo veio para suceder ao Hyundai Getz, que sairia de linha anos depois. Situado entre o i10 e o i30, o novo carro então vai concorrer no concorrido segmento-B, os subcompactos ou superminis, no qual se situa fortes competidores tais como Volkswagen Polo, Vauxhall/Opel Corsa, Renault Clio e Peugeot 207.

O Hyundai Getz.

Os arranjos eram os mesmos do primo Accent, suspensão dianteira McPherson e eixo de torção na suspensão traseira, além da tração dianteira.

Como estamos na Europa, não iria faltar opções a diesel além das a gasolina, certo? Os motores oferecidos foram os movidos a gasolina de 1,25 16V de 78 cv, 1,4 16V de 100 cv e um 1,6 de 16V de 126 cv. Os movidos a diesel foram o 1,4 16V de 90 cv e um 1,6 16V de 115 cv.

Tinha 3,94 metros de comprimento, largura de 1,71 metro, altura de 1,49 metro e 2,52 metros de entre-eixos. O porta-malas tinha 295 litros, medida boa para o seu porte, com massa a partir de 945 Kg.

Opções de transmissões automáticas estiveram disponíveis nas versões a gasolina 1,4 e 1,6. Caixa manual de cinco marchas ficou para todo restante da linha, exceto nos modelos a diesel, cuja transmissão era uma de seis marchas.

Desenhado pelo Thomas Bürkle, o carro ficou com um desenho muito bem projetado, guardando clara semelhança com o seu irmão maior i30, este também desenhado pelo desenhista.

O modelo, oferecido somente em versão hatchback, tinha um ótimo trabalho de desenho.

O modelo para o mercado europeu saia da linha turca em İzmit. Também foi oferecido aos indianos pela própria linha indiana, além de ter sido produzido em Moçambique. Foi vendido em alguns lugares da Ásia e na Oceania, inclusive para os australianos.


O interior não demonstrava requinte, apesar de moderno e funcional. Plásticos rígidos predominantes, embora de montados com capricho.

É claro que, para entrar num mercado competido como o europeu, a Hyundai já providenciou desde a versão básica, seis bolsas infláveis, freios ABS com sistema de distribuição eletrônica de frenagem (EBD), sistema de áudio com controles no volante, direção assistida e controle elétrico dos vidros dianteiros.

Além disso o carro foi muito bem pontuado no EURO NCAP em 2009, com 5 estrelas de resultado. Dessa maneira, foi considerado pela instituição um dos cinco carros mais seguros de 2009.

Em 2012 o carro recebia uma cirurgia plástica. As linhas da dianteira certamente inspiraram o trabalho de desenho do HB20 brasileiro.

Ele te lembra o HB20?

Transmissão manual de seis marchas estava disponível agora para toda a linha, apesar da perda do motor 1,6 16V (por que Hyundai?). Novidade também era um motor 1,1 12V, movido a diesel e com três cilindros em linha, de 75 cv. Ficou assim disponível para o modelo, além deste, os motores a gasolina 1,2 16V de 85 cv e o 1,4 16V de 100 cv.

Hyundai é Hyundai também na Índia. Nesses anúncios, destacando muito bem seu produto em segurança e pacote de equipamentos e diferentes motorizações.

Com aumentos de preços, o básico ganhou controle de estabilidade, ar-condicionado de controle manual, sensores traseiros de estacionamento e sistema start/stop de parada automática.


Acalme-se Hyundai. Não é uma nova geração, é apenas uma plástica.

O modelo também cresceu 5 cm em comprimento, entretanto tendo a largura, entre-eixos e altura inalterados. A massa inicial era de 935 Kg.

O modelo foi avaliado pela AutoCar UK, agradando em preço de compra, segurança e consumo do motor 1,2, no entanto desagradando em falta de refinamento, interior monótono (provavelmente uma preferência britânica) e excesso na assistência de direção.

A segunda e atual geração foi lançada em agosto de 2014 na Índia e em novembro do mesmo ano para os europeus.

Dessa vez desenhado por Casey Hyun, o modelo trouxe a nova identidade da marca, denominada de "escultura fluida".

O desenho parecia fluir e o interior ficava mais moderno, neste da foto com bom gosto em misturar duas tonalidades.

Juntamente com o desenho externo, que ficou com um bom trabalho de linhas harmônicas, o interior tinha grandes aprimoramentos no desenho e no acabamento interno.

O modelo agora tinha 4,03 metros de comprimento, 1,73 metro de largura, 1,47 metro de altura e 2,57 metros de entre-eixos. Continuavam disponíveis os modelos cinco-portas e três-portas, este denominado na Europa como Accent Coupe e lançado no ano passado. O porta-malas cresceu ainda mais, com 325 litros. Digno de um carro compacto. A massa ficava a partir de 955 Kg.

O modelo básico ganhou com controle de tração, computador de bordo e entradas USB para o sistema de áudio.

O motor inicial foi o 1,2 a gasolina de 75 cv. No ano seguinte ganhava o 1,1 diesel de 75 cv e neste ano, um motor turbinado de 1,0 litro, a gasolina, três cilindros em linha e 12 válvulas. Dependendo da versão, a potência poderia ser de 100 cv ou 120 cv.

Desenho esportivo era um dos destaques do Accent Coupe. 

Por enquanto estão disponíveis somente as caixas manuais de cinco e seis marchas, assim como para a coupé, esta com somente motores a gasolina.

Sobre terras lamacentas: no rali

Competição caracterizada por grandes aventuras e perigos, o rali também teve tanto o Accent quanto o i20 quanto participantes.

Ele participou no já conhecido World Rally Championship de 2000 a 2003. Depois de testes e desenvolvimento em 1999, a Hyundai World Rally Team e Motor Sport Developments (MSD) trouxeram o carro no Swedish Rally de 2000. O Accent WRC2, segunda evolução, teve alterações técnicas que melhoraram aerodinâmica e comportamento dinâmico, embora tenham focado mais na confiabilidade. O seu melhor resultado no torneio foi um quarto lugar. O Accent WRC3, com novas melhorias, participou no Tour de Corse de 2002, na ilha de Corsica, na França. O vencedor daquele torneio havia sido o Peugeot 206 WRC, como havia sempre sido destaque da PSA.

Com restrições de orçamento, o desenvolvimento do carro foi praticamente interrompido durante a sessão de 2003. Em setembro, Hyundai anunciou sua retirada do WRC.

Apesar disso, o carro esteve sob mãos do tetracampeão (posso usar esse termo para ralis também?) Juha Kankkunen, que já foi piloto da Subaru, assim como sob o Kenneth Eriksson, piloto sueco que foi campeão em torneios da década de 80 e 90. Também foi pilotado pelo britânico Alister McRae (seria um parente do renomado Colin McRae?), esse atuando nos ralis até os dias de hoje. Não acabou, ainda foi pilotado pelo belga Freddy Loix, que já pilotou também o 307 WRC e também pelo alemão Armin Schwarz, este campeão no Rally Catalunya de 1991. 

Kenneth Eriksson no Accent durante o Rally Finland de 2001.

Alister McRae no mesmo campeonato.

Já o i20, primo europeu, também correu bastante em terra e lama.

Depois de uma saída de dez anos da marca nas corridas de rali, ela volta com força no Monte Carlo Rally de 2014, com o seu i20, ainda da primeira geração, apesar de já com a cirurgia de 2012.

O Hyundai i20 WRC.

E assim ele venceu esse torneio, pilotado pelo jovem belga Thierry Neuville. Essa competição ocorreu na Alemanha. O carro foi desenvolvido pela divisão da marca no país, a Hyundai Motorsport.

Na foto, Thierry e seu co-piloto durante a competição.

Fora da mídia automotiva

Um carro que rodou várias partes do mundo, tanto o Accent quanto o i20, obviamente iria aparecer nas telas, não acha?

De maneira inacreditável e curiosa, o carrinho apareceu no filme brasileiro "A Floresta que se Move", com atores globais tais como Gabriel Braga Nunes e Ana Paula Arósio. O drama, lançado em novembro do ano passado, conta a história um empresário que conhece uma vidente. 

Na cena é flagrado um Hyundai Accent sedã, de quarta geração, como táxi. É provável que tenha sido filmado no Uruguai, já que o filme foi filmado lá também.

No premiado drama de televisão sul-coreano Secret Garden, transmitido na TV de 2010 a 2011, a primeira geração do modelo aparece em uma cena que, a primeira vista, remete a uma perseguição. E por um Hyundai Grandeur (ou Azera). Foi transmitida a países como Estados Unidos, Japão, China e Bolívia.


No reality-show estadunidense The Reality Race, em transmissão desde 2001, o modelo de primeira geração aparece numa cena que parece ser de início de um episódio. É um reality show do qual dois parceiros percorrem em competição contra outras equipes ao redor do mundo. Inclusive já passaram pelo Brasil.

A RedeTV! criou uma versão brasileira, denominada The Amazing Race: A Corrida Milionária, transmitida de 2007 a 2008. Teve participação inclusive de um casal homossexual.


Até mesmo no filme Avengers: Age of Ultron, cujo nome brasileiro é Os Vingadores 2: A Era de Ultron, o carro fez uma aparição, ainda que de maneira discreta. É um sedã de primeira geração. Você deve muito bem saber que o filme é sobre os personagens da Marvel, não?


Já o seu primo i20, participou na série automotiva de TV britânica Fifth Gear, exibida de 2002 até o fim de maio deste ano. Ah, e era um concorrente da famosa Top Gear, da BBC. Um modelo turco da primeira geração.


O carro também fez uma aparição no filme francês Plan de table, uma comédia romântica, provavelmente usado pela personagem principal. E também é um modelo de primeira geração.


Ele também participa na série francesa Candice Renoir, cujo nome é o da personagem principal, lançada em 2013 e exibida até hoje. A série é uma comédia cuja protagonista, Candice Renoir, tem que resolver os crimes no sul da França. Nessa série o jovem i20, dessa vez já em segunda geração, aparece em uma das cenas de maneira não tão discreta.


Quem diria que, uma marca sul-coreana fundada em um país pequenino que estava em frangalhos, já atingido pela Guerra da Coreia, hoje seria uma referência no competido mercado internacional de automóveis? 

Não só mostra que é possível uma marca desconhecida alcançar o sucesso, independente do local de origem, mas também que, com perseverança, persistência e trabalho, é possível chegar ao objetivo.

Tanto o Accent quanto o i20, pelo que se indica, continuarão ainda por muitos anos competindo em seus respectivos locais. 

Agora, três perguntas a Hyundai Motor Brasil: o que há de errado em trazer para o Brasil um carro mundial como o Accent? Por que preferir produzir um modelo genuinamente nacional que, como se sabe, só faz sucesso em poucos mercados e não é referência mundial? Os brasileiros seriam, afinal, inferiores aos indianos, turcos, uruguaios e tantos outros povos ao redor do mundo?

¹ Traduzida para o alfabeto nosso, ficaria como "Chto?". O que em russo significa "O quê?". A pronúncia é "chtô".

Fontes: Wikipedia, Hyundai India, Consumer Guide, Edmunds, CarGurus, Us News, AutoCar UK, Internet Movie Database, Internet Movie Car Database.


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